A real semelhança genética humano-chimpanzé

Uma análise da alegação comum sobre os genomas de humanos e chimpanzés serem bem idênticos demonstra que isso é terrivelmente inverossímil, após uma averiguação das metodologias e dados descritos em várias das principais pesquisas publicadas.

Estimativas de similaridade nas sequências de DNA são baseadas principalmente em amostras biológicas e/ou dados pré-selecionados.
Trechos genômicos diferentes demais para serem satisfatoriamente alinhados foram tipicamente omitidos, mascarados e/ou não mencionados. Além disso, os dados finais sobre as lacunas (genéticas) entre as bases alinhadas também foram muitas vezes descartados (que conveniente…), exagerando ainda mais as (altas) estimativas finais.

São esses processos de omissão de dados, altamente selecionados, impulsionados pelo dogma darwinista que produzem o comumente recitado percentual de 98% de semelhança.

Com base na análise dos dados fornecidos em várias publicações, incluindo o frequentemente citado relatório do consórcio genoma chimpanzé de 2005, é seguro concluir que  as semelhanças entre humanos e chimpanzés não é nem de longe superior a ~87%, e possivelmente não maior do que 81%. Estas estimativas foram revistas com base nos dados relevantes omitidos das principais pesquisas realizadas nos últimos anos.

Sem mencionar a abismal diferença entre os cromossomos Y de ambas as espécies (como veremos mais adiante), que mesmo não tendo papel tão importante para a comparação genômica em si, por outro lado posa como terrível paradoxo contra a pífia e plástica, não-falseável “teoria” da evolução.

Dados do sequenciamento genômico são muitas vezes passados por vários níveis de triagem inicial, filtragem e seleção antes de serem finalmente analisados e postos em teste.
Um dos principais problemas com a investigação no campo da genética comparativa, é que na maioria dos estudos, há uma grande quantidade de pré-seleções aplicada às amostras biológicas disponíveis e aos dados antes da análise final realizada. Só os dados mais promissores (segundo a teoria em voga, lógico), “peneirados” de um conjunto inicial é que são normalmente extraídos para uma análise final.

 

Os primeiros estudos humano-chimpanzé usando cinética de reassociação

 

As estimativas iniciais que trouxeram a crença nos 98% de semelhança entre os DNAs humano-chimpanzé vieram de um campo de estudo chamado cinética de reassociação. Estes relatórios iniciais alimentaram precipitadas declarações por proponentes populares da TE como Richard Dawkins, que afirmou: “Os chimpanzés e nós compartilhamos mais de 99 por cento dos nossos genes.” Na época, essa declaração era presunçosa, porque os genomas completos de humanos e chimpanzés não eram conhecidos. Os esboços iniciais destes não foram anunciados, até 2001 e 2005, respectivamente.

Os supostos dados aos quais Dawkins se referia em 1986 eram uma mera estimativa indireta com base na cinética de reassociação de DNA humano e do chimpanzé: genes mistos não claramente definidos. Na cinética de reassociação, calor e/ou química são usados para separar a cadeia dupla do ADN em duas.
Quando o DNA é reassociado de maneira controlada, pode ser então fracionado utilizando vários protocolos. Quanto mais lenta a reassociação, mais complexo e geneticamente “denso” o DNA é dito ser.

Para os estudos comparativos, a cadeia única da fração de ADN é recolhida a partir de duas espécies diferentes, misturadas entre si, dissociadas, deixando então se reassociarem de modo que o ADN humano e de chimpanzé possam recombinar entre si. O nível de bases complementares correspondentes entre os trechos pode ser indiretamente medido através de uma variedade de métodos que medem as taxas/níveis de reassociação. O porém nisso é que apenas as frações da cadeia única do genoma humano e dos primatas é que foram utilizados para obter estimativas iniciais de similaridade. Cientistas focaram na fração de cadeia única por causa da elevada concentração de genes. No entanto, muitos genes estão localizados nas outras porções do genoma e assim foram deixados de fora da análise. Outro problema é que praticamente todo o genoma é agora conhecido ser funcional em algum aspecto e as regiões não-codificadoras de proteinas foram provadas como sendo essenciais para fornecer muitas características de controle crítico e moldagem dos nucleótideos.

 

Referência

Total de bases

analizadas

Bases alinhadas

Suposta semelhança 

no DNA

Similaridade ADN real *

Britten, 2002

846,016

779,132

95.2%

~ 87%

Ebersberger et al., 2002

3,000,286

1,944,162

98.8%

< 65%

Liu et al., 2003

10,600,000 

4,968,069 (hum–chimp)

98.9% sem indels

?

Wildman et al., 2003

~90,000 (exons de 97 genes)

?

98.4–99.4%

?

Chimp. Chrom. 22 

Consort.

32,799,845

?

98.5% excluindo 

indels

80–85% incluindo 

indels

Nielson et al., 2005

?

?

99.4% regiões 

genéticas 

?

Chimp. Seq. Consort. 2005

Inteiro genoma (5x)

2.4 Gb

95.8%

81%**

 

Tabela . Resumo da comparação entre os genomas em diversos artigos. Quando fora possível, dados omitidos dos alinhamentos foram usados para produzir uma mais fidedigna comparação real entre os DNA’s.

* Baseado na quantidade de sequências omitidas do DNA durante os alinhamentos

** Comparado a dados do The International Human Genome Sequencing Consortium (2004)—((.9577 x 2.4 Gb) / 2.85 Gb) x 100

? Não foi possível calcular a semelhanças genômica real devido aos dados não serem providos

 

Um dos primeiros trabalhos de sequências de DNA que apareceram no início do projeto genoma do chimpanzé foi talvez um dos mais objetivos. Roy Britten, um dos pioneiros na cinética de reassociação de DNA, comparou a seqüência genômica de cinco clones de DNA de chimpanzés de grande inserção (cromossomos bacteriais artificiais ou BACs) e da sequência genômica humana, utilizando um atípico programa de computador baseado em Fortran que  não era/está disponível publicamente. Estas cinco seqüências BAC de chimpanzés  foram escolhidas porque eram as únicas até então disponíveis. Os pesquisadores geralmente escolhem BACs iniciais para o seqüenciamento do genoma devido ao seu conteúdo de DNA de cópia-única, o que os torna mais fáceis de serem “montados” e comparados com outras espécies.

O tamanho total da sequência de DNA para todos os 5 BACs era de 846.016 bases. No entanto, apenas 92% desta era alinhável ao ADN humano, pelo que as estatísticas finais contaram apenas as 779.132 bases. A seu favor Britten incluiu os dados das inserções e deleções (indels) e daí relatou uma semelhança de ~ 95%. No entanto, um número mais realista incluiria a seqüência de alta qualidade completa de todos os cinco BACs, tão legítimos como os indels dentro dos alinhamentos, dando uma semelhança de DNA final de 87%!

 

Ilustração de uma região alinhada mostrando possíveis substituições e indels (inserções-deleções) que podem variar de uma a milhares de bases pareadas. As inserções e deleções (indels) representam a adição ou perda de sequência de ADN na comparação de sequência com a outra. Indels podem variar em tamanho de uma única base para mais de milhares. 

 

Outro estudo notável publicado por Ebersberger et al., publicado no mesmo ano que artigo de Britten, utilizou seqüênciamento genômico obtido a partir de fragmentos aleatórios de tamanhos selecionados na faixa de 300 a 600 bases. Essas sequências de DNA foram alinhados a uma versão anterior do conjunto do genoma humano usando o algoritmo BLAT (Blast-Like Alignment Tool). Pesquisadores selecionaram dois terços da seqüência total para análises posteriores. Um terço da sequência de chimpanzé não alinhou-se ao genoma humano e foi descartado. A seção de métodos no artigo descreve como o subconjunto de dados pré-selecionados foi posteriormente filtrado para obter apenas os melhores alinhamentos. Os dados resultantes foram então sujeitos a uma variedade de análises comparativas que, para todos os fins práticos, são completamente insignificantes tendo em vista o nível extremamente elevado de seleção, dados mascarados, e filtragem aplicada. Não é de se surpreender que eles tenham reportado uma diferença final de apenas 1.24% em áreas altamente similares entre os dois genomas… Se contarmos todos os dados descartados e filtrados, teremos como resultado uma similaridade não maior do que 65% (Ver tabela).
Pouco após esses artigos iniciais sobre essas comparações, uma estranha tendência repentinamente surgiu, no sentido de apenas divulgar os resultados finais dos alinhamentos, e pior, omitindo todos os detalhes específicos sobre a metodologia: como os dados foram filtrados, selecionados, “maquiados”, o que fora usado/descartado, etc. Dados cruciais que permitiriam leitores a calcularem pessoalmente um quadro mais real começaram a ser consistentemente ocultos.
Exemplo, Liu et al. relatou sobre alinhamento genômico entre humanos e chimpanzés, babuínos e saguis. Informação importante sobre o conjunto inicial de sequências e dados específicos dos alinhamentos foram sumariamente omitidos! Apenas relataram que usaram uma quantidade total de 10.6 Mb de sequências para todas as espécies comparadas. Sua estimativa final dos alinhamentos, omitindo indels e áreas não-alinháveis, foi de 98.9%. Incluindo indels, o valor seria de 95.6%, similar a pesquisa de Britten (já contando os trechos descartados, claro).
Outra tendência preocupante é que apenas sequências codificadoras de proteínas (éxons) altamente conservadas passaram a ser utilizadas nas pesquisas. Nós sabemos atualmente que sequências não-codificadoras de proteínas, que compôe mais de 95% do DNA, são críticas para todos os aspectos genômicos e genéticos funcionais. Seguindo essa tendência de alinhar apenas sequências exônicas, Wildman et al. divulgaram um estudo que comparou apenas exons de humanos e chimpanzés, 97 fragmentos, somando um total de 90.000 bases. Os éxons pré-selecionados eram baseados no fato de serem presentes em ambas espécies e reconhecidamente tidos como altamente alinháveis. Por causa dessa abordagem tendenciosa e escassez de detalhes sobre o material analisado e os métodos, fica impossível chegar a uma estimativa realista dos dados omitidos e do alinhamento em si.

 

 

Em 2004, Watanabe et al. usaram uma variedade de “bibliotecas” BAC para selecionar clones para sequência de DNA representando o cromossomo 22 dos primatas. A sequencia foi comparada ao cromossomo 22 de humanos. A ressalva é que os clones BAC dos primatas só eram selecionados se cada um contesse de 6 a 10 marcadores de DNA humanos. Novamente, uma pré-seleção nada imparcial e honesta dos materiais ocorreu.
Neste caso, antes mesmo dos dados sequenciais serem ao menos gerados. Lamentavelmente, estastícas gerais sobre o alinhamento não foram dadas no artigo nem em seus materiais suplementares. Os autores afirmam um percentual de substituições de nucleotídeos de 1.44% em areas alinhadas, mas não ofereceram nada que incluísse os indels. Enquanto esses foram omitidos do sequenciamento, os autores indicam que haviam 82.000 deles e proveram um histograma que mostra graficamente o tamanho da distribuição baseados em dados agrupados. Estranhamente, nenhum dado sobre o tamanho médio dos indels foi providenciado. Da mesma forma, foi dado o número de lacunas  na seqüência, mas nada sobre o tamanho total acumulado destas. Baseados nos limitados e incompletos dados oferecidos, podemos estimar uma semelhança genômica entre 80% a 85%.

 

 

Um dos estudos mais ambiguos foi publicado por Nielson et al. Mantendo a inclinação a nova “modinha”, apenas éxons altamente alinhaveis foram utilizados e nenhum dado foi provido que permitisse um calcúlo real da similaridade total. Do total inicial de sequencias na analise (20.361) os pesquisadores acabaram deixando de lado 33% (6.630) em uma ambigua afirmação sobre “controle de qualidade altamente conservativo”. Em outras palavras, 1/3 dos dados geneticos primatas iniciais não se alinhavam aos dos humanos, sendo então eliminados. De fato, nenhum substancial dado foi concedido para, pelo menos, avaliar os 2/3 finais que foram comparados. Os autores apenas relatam sobre a divergências de sequencias substituidas nas chamadas “áreas silenciosas”. Essas são as áreas de onde os dados foram descartados, representando locais onde a variação genética supostamente representa pouca ou nenhuma função no genoma. Nós já vimos que mesmo areas não-codificadoras são funcionalmente ativas. Dados sobre diferenças nos indels foram completamente omitidas.

 

 

O artigo divisor de águas

 

A publicação mais marcante sobre comparações dos genomas foi o artigo da Nature de 2005 sobre o International Chimpanzee Genome Sequencing Consortium. Infelizmente, este trabalho seguiu a tendência previamente estabelecida, onde a maioria dos dados comparativos foi dado em um formato altamente seletivo e ofuscado e informações detalhadas sobre os alinhamentos estavam ausentes. A maior parte do mesmo somente consiste em uma variedade de “análises” evolutivas hipotéticas para várias taxas de divergência e as forças seletivas por trás disso.
Assim, a questão crítica da semelhança geral foi cuidadosamente evitada. Contudo, com base nos números fornecidos no artigo, podemos se deparar com uma semelhança geral do genomas bem aquém do comumente aceito, incluindo informações simultâneas publicadas a partir do projeto genoma humano. No que diz respeito ao alinhamento geral, os autores declaram “Os melhores alinhamentos a nível de nucleotídeos recíprocos dos genomas de chimpanzés e humanos cobrem ~ 2,4 gigabases(GB) de seqüência de alta qualidade”. A esta altura, a montagem eucromática humana foi calculada como sendo 99% completa, compondo um total de 2.85 Gb tendo uma taxa de erro de 1 em cada 100.000 bases. Os autores do genoma chimp afirmam: “As diferenças nos indels entre os genomas compões total de ~ 90 MB. Diferença que corresponde a ~3% de ambos genomas, e que sobrepuja os 1.23% de diferença resultantes das substituições nos nucleotídeos.”
Em suma, apenas ~2.3 Gb da sequencia chimp alinhou-se no altamente apurado e completo genoma humano (2.85 Gb), uma operação que incluiu o mascaramento de sequências de baixa complexidade. Sobre a sequência primata que alinhou-se, os dados para substituições e indels indica uma semelhança de 95.8%, uma figura distorcida que exclui as regiões mascaradas e ocultas. Adicionando estas, uma estimativa total do DNA chimpanzé comparado ao humano produz uma estimativa conservadora de cerca de 80.6%! Em 2005, uma área com 5 vezes a cobertura redundante do genoma chimp foi atingida, o que deve ter representado 95% da sequência total senão mais.
Wood em seu relatório agrega uma análise que tenta validar a inteira montagem do genoma chimp de 2005, usando sequências de aminoácidos de genes ortólogos já sendo reconhecidos como similares, bem alinháveis. Comparações de aminoácidos proteícos entre sequências de órtologos conhecidos, eletronicamente traduzidos dificilmente é considerado um eficiente indicador de semelhanças genômicas. Ortólogos são genes em diferentes espécies que são cridos terem evoluídos de um gene ancestral comum, principalmente porque eles tem a mesma função e sequencias similares em ambas espécies. Outro problema com proteínas geradas eletronicamente para comparações é indicado pelo fato de a maioria de genes mamíferos submeterem-se a áreas alternativas de inicio/fim de transcrições e traduções, multíplos mecanismos de splicing (um processo que remove os íntrons e junta os éxons depois da transcrição do RNA.) de exóns, segmentos decodificadores de RNA regulatório intragene, elementos ampliadores e muitos outros aspectos transcritores de códigos bem complexos.
À luz do nosso conhecimento atual sobre como o genoma funciona na prática, a abordagem antiquada de usar seqüências de proteínas nucleares deduzidas eletronicamente para comparações intergenomicas precisa ser seriamente repensada por ambos evolucionistas e criacionistas.

 

Árvore genealógica arrancada desde as raízes…

 

Seguindo o resumo de Wood, vários outros estudos subsequentes vieram, como o de Ebersberger et al, no qual uma grande soma de sequencias de humanos, chimpanzés, orangotangos, resos e gorilas foram usadas para a construção de filogenias (alinhamentos múltiplos analisados em formato de “árvore” evolutiva). As sequências de DNA’s passaram por vários níveis de seleção para pré-analise, “podagem” e filtragem para um ótimo alinhamento. Primeiro, uma série de 30.112 sequencias foi selecionada que compartilhavam homologia (similaridades sobrepostas) entre as cinco espécies. Essas seqüências foram alinhadas e apenas aqueles que produziram ≥ 300 alinhamentos de base foram reutilizados em outra série de alinhamentos.
Este processo de filtração removeu mais de 22% da já conhecida, pré-selecionada sequência homóloga. Apesar de toda essa filtragem visando produzir o alinhamento evolutivo mais favorável à árvores de dados, os resultados não mostraram qualquer caminho claro de parentesco entre seres humanos e chimpanzés ou qualquer um dos grandes primatas. O que surgiu foi um verdadeiro mosaico de sequências únicas de DNA humano e de primatas; contradizendo qualquer ramificação clara de ancestralidade comum. Talvez o melhor resumo sobre a pesquisa pode ser encontrado nas palavras do próprio autor:

 

“Para cerca 23% de nosso genoma, nós não compartilhamos nenhuma ancestralidade genética imediata com o nosso parente vivo mais próximo, o chimpanzé.”

 

“Assim, em dois terços dos casos, uma genealogia no qual os seres humanos e os chimpanzés não são parentes próximos uns dos outros, geneticamente. As genealogias correspondentes são incongruentes com a árvore das espécies. Em concordância com as evidências experimentais, isto implica que não existe tal coisa como uma história evolutiva única do genoma humano. Pelo contrário, ela se assemelha mais a uma colcha de retalho de regiões individuais cada qual seguindo suas próprias genealogias. “

 

 

O cromossomo Y

 

 

Um dos relatórios mais prejudiciais ao dogma evolucionista que veio a tona nos últimos anos é a comparação do cromossomo Y de seres humanos e, eles, os chimpanzés. Nesse estudo, a região específica do sexo masculino (RMS), uma grande região do cromossomo Y, foi comparada entre ambos. Para realizar isto, uma quantidade razoável de re-sequenciamentos tinha de ser executado devido ao fato da sequência do chimpanzé nesta área ser fragmentada e ainda incompleta. O resultado final foi de 25.800.000 bases de seqüência chimp do cromossomo Y de alta precisão, distribuídos em oito segmentos contíguos. Quando comparado com o cromossomo Y humano, as diferenças se mostraram enormes. Os autores afirmam: “Cerca de metade da seqüência ampliconica de chimpanzés não tem partes homólogas alinhávéis no MSY humano, e vice-versa.” A seqüência ampliconica contém unidades repetidas ornadas (chamados de palíndromos), que leem-se do mesmo jeito de trás para frente e vice-versa. Disperso dentro destes palíndromos estão as famílias de genes que são expressos principalmente nos testículos. Não só 50% deste tipo de sequência não alinhou-se entre si, humanos foram encontrados como tendo mais do dobro de genes no total (60 contra 25 deles). Existem também três categorias completas de genes (famílias de genes) encontradas nos seres humanos, que não estão nem sequer presentes nos chimpanzés. Relacionado com esta grande diferença no conteúdo de gene, observam os autores que “Apesar da estrutura elaborada do MSY chimpanzé, seu repertório genético é consideravelmente menor e mais simples do que a do MSY humano” e “o MSY chimpanzé contém apenas dois terços dos genes distintos ou famílias de genes do MSY humano, e apenas metade do número de unidades de transcrição de codificadores de proteínas.”
E não para por ai… Sobre a zona do cromossomo conhecida como “X-degenerada” (segundo a concepção evolucionista de que o cromossomo Y é apenas uma “mutação” simplificada do cromossomo X, o que deu origem aos machos…), os pesquisadores notaram tremendas diferenças em organização e localização além de diferenças no conteúdo. De fato, humanos possuem 3 classes inteiras de genes “X-degenerados” completamente ausente no dos primatas.
Diante de tantas divergências incongruentes com a teoria darwinista, os autores ridiculamente cogitam que “as sequências MSY mantidas em ambas linhagens foram EXTRAORDINARIAMENTE sujeitas a reorganização: comparações “dot-plot” dos cromossomos inteiros demonstram marcantes diferenças na estrutura geral.”. Dizer que ambos os cromossomos foram “extraordinariamente sujeitos” a realinhamento, reorganização, não é senão uma ridícula tentativa de “explicar” essa divergência abismal entre ambos cromossomos, o que pegou os proponentes da teoria de surpresa. Outras diferenças são afirmadas no artigo:

 

“As regiões amplicônicas de chimpanzés são particularmente massivas (44% maior que nos humanos) e arquitetadamente ornadas, com 19 palíndromos (contra 8 em humanos) e elaborado espelhamento de sequências de nucleotídeos entre os curtos e longos braços do cromossomo, uma característica não encontrada no dos humanos”

 

“Dos 19 palíndromos primatas, apenas 7 são encontrados também em humanos, os outros 12 são específicos de chimpanzés. Diferente do nosso, praticamente todos os palíndromos dos chimpanzés existem em múltiplas cópias”.

Por esses e outros fatores alarmantes, os autores, perplexos, concluíram:
“De fato, em 6 milhões de anos (segundo a teoria, lógico) de separação, a diferença no conteúdo genético do MSY de chimpanzés e humanos é mais comparável com a diferença no conteúdo genético autossômico entre galinhas e humanos, após 310 milhões de anos de separação (evolutiva)”

Contaminação das amostras durante experimentos pode colaborar com a elevada similaridade…

Outro fator a ser considerado no debate similaridade humano-chimp é que alguns casos de alta semelhança da sequência pode ser devido a contaminação. Não apenas a montagem e organização do genoma primata ainda ser feito em grande parte com base na estrutura do genoma humano, também parece agora que a contaminação generalizada das bases de dados não-primatas com DNA humano é um problema grave e pode ser tão elevado como 10% em alguns casos. Contaminação humana resulta do processo de clonagem de fragmentos de ADN no laboratório para a sequenciação em que as células humanas lançadas no ar provenientes de tosse, espirros e contato físico com os dedos contaminados. A detecção e caracterização de contaminação de DNA humano em bases de dados de primatas pode ser uma tarefa difícil e altamente subjetiva por causa do dogma fundamental de evolução dos primatas. É também digno de nota que o genoma do chimpanzé foi sequenciado durante o período de tempo em que a contaminação de ADN generalizado humano não tinha sido bem exposta. O problema de contaminação é também confundido com o uso da estrutura humana para a montagem e anotação da sequência de chimpanzé.

De fato, a contaminação não só é possível através de erro de laboratório, mas é introduzida de propósito durante a montagem do genoma do chimpanzé tendo base no dogma darwinista. Em um site recente no banco de dados Ensembl (projeto conjunto de bioinformática entre EMBL-EBI e o Wellcome Trust Sanger Institute), uma página intitulada “Chimp Genebuild ‘fornece as seguintes informações a respeito de uma das formas em que o genoma humano é usado como um guia/gabarito para montar e organizar o genoma primata:

“Devido ao pequeno número de proteínas (muitos dos quais alinhadas na mesma localização) uma camada adicional de estruturas genéticas foi adicionada através da projeção de genes humanos. A anotação de alta qualidade do genoma humano e o elevado grau de semelhança entre os genomas humano e chimpanzé nos permite identificar genes em chimpanzés por transferência de genes humanos para o local correspondente no dos chimpanzés.”

“As transcrições de codificação das proteínas da estrutura genética de humanos são projetadas através do WGA [montagem do genoma inteiro] sobre os cromossomos do genoma do chimpanzé. Pequenas inserções / deleções que interrompem a leitura de camada das transcrições resultantes são corrigidas inserindo-se íntrons “frame-shift” dentro da estrutura ”

Incrível, mas, afim de sustentar a já consensual teoria de parentesco de humanos e chimps, pesquisadores usam o genoma humano para organizar e remontar o genoma primata, sem contar também a contaminação humana e a voluntária adição de DNA humano dentro das lacunas existentes no genoma primata, afim de demonstrar uma similaridade final maior do que o normal…

 

 

Mais diferenças possíveis

 

Aproveitando a deixa, vejamos mais tipos de diferenças que podem ser encontradas entre genomas (além de indels, substituições e lacunas, que podem ter tamanhos variando de algumas bases pareadas a mais de milhares), segundo um review de Gagneux and Varki (Mol Phylogenet Evol 18:2–13):

-Diferenças citogenéticas;
-Diferenças no tipo e quantidade de DNA repetitivo genômico e elementos transponíveis;
-Abundância e distribuição de retrovírus endógenos;
-Presença e extensão de polimorfismos alélicos;
-Eventos específicos de inativação de genes;
-Diferenças de seqüência de genes, duplicação de genes;
-Polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs);
-Diferenças na expressão gênica;
-Variações no splicing do RNA mensageiro.

E mais:

-Humanos tem 23 pares de cromossomos, chimpanzes tem 24. Evolucionistas atestam que um dos cromossomos humanos se fundiu durante a “evoluçao” humana… Mas seria mesmo uma mera fusão de cromossomos a solução para a origem de nossa inteligência, raciocínio, filosofia, etc? Bem, cavalos selvagens da raça Przewalski, encontrados em estepes na Eurásia, possuem 66 cromossomos (33 pares), cavalos domesticos possuem 64 (32 pares), mas não vemos sinal de inteligência nem nada inerente a humanos nos cavalos selvagens… Apenas continuam sendo cavalos do mesmo jeito, inclusive podem se cruzar com os domésticos e ter prole fertil!

-Ao fim de cada cromossomo encontra-se uma rede de sequências de DNA repetidas nomeadas de telômeros. Chimps e outros primatas tem cerca de 23 kilobases (1 kilobase= 1000 bases pareadas de DNA) em repetições. Humanos, em contrapartida, possuem telômeros bem mais curtos, medindo apenas 10 kilobases…
-Se 18 cromossomos são ‘virtualmente idênticos’ entre humanos e chimps, os cromossomos 4,9 e 12 são consideravelmente divergentes, o que levou cientistas (como A. Gibbons em 1998 “Science 281:1432–1434”) a considerarem isso como evidência de “remodelagem”. Genes e marcadores nesses cromossomos são organizados em ordem e maneira bem diferente entre as duas espécies…

-No artigo de Fujiyama, Watanabe e CIA, em 2002, foram comparados mapas clonados do cromossomo 21 de ambas espécies. Eles encontraram “enormes regiões não-aleatórias de diferença entre os dois genomas”. Encontraram também uma quantidade de regiões que “podem corresponder a inserções que são espécificas da linhagem humana”.

-Após o Chimpanzee Sequencing and Analysis Consortium, foi constatado que o genoma chimp pode ser de 6 a 11.5% maior do que o nosso genoma!

 

 

Fontes:

International Human Genome Sequencing Consortium, Initial sequencing and analysis of the human genome, Nature 409:861–920, 2001.
Venter, J.C. et al., The sequence of the human genome, Science 291:1304–1351, 2001.
The Chimpanzee Sequencing and Analysis Consortium, Initial sequence of the chimpanzee genome and comparison with the human genome, Nature 437:69–87, 2005.

Bergman, J., The functions of introns: from junk DNA to designed DNA, Perspectives on Science and Christian Faith 53(3):170–178, 2001.
Cohen, J., Relative differences: the myth of 1%, Science 316:1836, 2007.

Hoyer B.H. et al., Examination of hominid evolution by DNA sequence homology, J. Human Evol. 1:645–649, 1972.

Sibley, C.G. and Ahlquist, J.E., The phylogeny of the hominoid primates, as indicated by DNA-DNA hybridization, J. Mol. Evol. 20:2–15, 1984.

Sibley, C.G., DNA hybridization evidence of hominoid phylogeny: a reanalysis of the data, J. Molec. Evol. 30:202–236, 1990.

Gibbons, A., Which of our genes make us human? Science 281:1432–1434, 1998.

Bergman, J. and Tomkins, J., Is the human genome nearly identical to chimpanzee?—a reassessment of the literature, J. Creation 26(1):54–60, 2012.

Wood, T.C., The chimpanzee genome and the problem of biological similarity, Occasional Papers of the BSG 7:1–18, 2006.

Britten, R.J., Divergence between samples of chimpanzee and human DNA sequences is 5% counting indels, Proc. Nat. Acad. Sci. 99:13633–13635, 2002.

Ebersberger, I. et al., Genomewide comparison of DNA sequences between humans and chimpanzees, American J. Human Genetics 70:1490–1497, 2002.

Liu, G. et al., Analysis of primate genomic variation reveals a repeat-driven expansion of the human genome, Genome Res. 13:358–368, 2003.

Wildman, D.E. et al., Implications of natural selection in shaping 99.4% nonsynonymous DNA identity between humans and chimpanzees: enlarging genus Homo, Proc. Nat. Acad. Sci. 100:7181–7188, 2003.

Watanabe, A.F. et al., DNA sequence and comparative analysis of chimpanzee chromosome 22, Nature 429:382–388, 2004.

Nielson R. et al., A scan for positively selected genes in the genomes of humans and chimpanzees, PLOS Biology 3(6):e170. doi:10.1371/journal. pbio.0030170, 2005.

International Human Genome Sequencing Consortium, Finishing the euchromatic sequence of the human genome, Nature 431:931–945, 2004.

The ENCODE Project Consortium, Identification and analysis of functional elements in 1% of the human genome by the ENCODE pilot project, Nature 447:799–816, 2007.

Barash Y. et al., Deciphering the splicing code, Nature 465:53–59, 2010.

Ebersberger, I. et al., Mapping human genetic ancestry, Molec. Biol. Evol. 24:2266–2276, 2007.

Hughes, J.F. et al., Chimpanzee and human Y chromosomes are remarkably divergent in structure and gene content, Nature 463:536–539, 2010.

International SNP Map Working Group, A map of human genome sequence variation containing 1.42 million single nucleotide polymorphisms, Nature 409:928–933, 2001.

Longo, M.S. et al., Abundant human DNA contamination identified in non-primate genome databases, PLoS ONE 6(2): e16410, 2011.

Fujiyama, A., Watanabe, H., Toyoda, A., Taylor, T.D., Itoh, T., Tsai, S.F., Park, H.S., Yaspo, M.L., Lehrach, H., Chen, Z., Fu, G., Saitou, N., Osoegawa, K., de Jong, P.J., Suto, Y., Hattori, M., and Sakaki, Y. 2002. ‘Construction and analysis of a Human-Chimpanzee Comparative Clone Map.’ Science 295:131–134

Anúncios

2 Comentários to “A real semelhança genética humano-chimpanzé”

  1. Parabéns, como sempre muito verdadeiro! Deus te abençoe anjo!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: