Extraordinário design…

Preste atenção nesta imagem abaixo:

O que te lembra? Certamente, duas engrenagens dentadas, não é? Outra imagem, menos aproximada:

Agora que parecem engrenagens mesmo, não é? E de fato o são! Não apenas uma, porém duas, perfeitamente alinhadas e encaixadas… Um feito de engenharia meio complicado de se obter, tendo em vista a ciência (em especial física) por trás de tal sistema, como podemos notar abaixo:

Existem vários livros e manuais ensinando/descrevendo o mecanismo. Tudo tem de ser impecável, para que o mecanismo possa funcionar fluida e perfeitamente. Tente, por exemplo, juntar duas engrenagens de tamanhos diferentes, ou de dimensões similares, porém, com uma possuindo maior brecha entre os dentes, ou arranque um ou mais dentes de uma, e verá a tragédia acontecer (quem anda de bicicleta ou motocicleta já imagina do que estou falando…)… Mas enfim, voltando às duas primeiras imagens, podemos imaginar que tais engrenagens são criações de engenheiros habilidosos e qualificados, manufaturados por indústrias possuidoras de avançado maquinário, enfim. Ledo engano! Pasmem: Essas engrenagens tão bem acabadas são encontradas exatamente aqui:

  Isso mesmo! Conheçam o Issus coleoptratus, nome científico de uma espécie de inseto encontrada na Europa, pertencente à família dos hemípteros, que inclui outras 65 mil espécies (incluindo o “querido” percevejo e a cigarra) espalhadas pelo globo. Pesquisadores da Universidade de Cambridge, Inglaterra, através de análises anatômicas e captura de vídeos com câmeras especiais de alta-velocidade (como aquelas usadas no programa Time Warp, do Discovery Channel), conseguiram desvendar o mistério por trás do salto do inseto, especificamente em sua ninfa.1

Os autores do tal estudo, Malcolm Burrows e Gregory Sutton, publicado no Science  (DOI:10.1126/science.1240284), e propagado por inúmeras outras publicações impressas e online, como o ScienceDaily 2, que relata:

“The gears in the Issus hind-leg bear remarkable engineering resemblance to those found on every bicycle and inside every car gear-box. Each gear tooth has a rounded corner at the point it connects to the gear strip; a feature identical to human-made gears such as bike gears — essentially a shock-absorbing mechanism to stop teeth from shearing off.”

“As engrenagens na pata traseira do Issus ostentam notável engenharia similar à engrenagens encontradas em todas as bicicletas e dentro de cada bloco de motor de automóveis. Cada dente possui uma ponta arredondada no ponto em que se encaixa no vão dos dentes: uma característica idêntica a engrenagens feitas por humanos tipo engrenagens de bicicletas– Essencialmente um sistema de absorção de choque para evitar que os dentes quebrem-se”. (Na verdade o canto arredondado reduz a concentração de estresse, comum em dentes com pontas afiadas.)

Tal mecanismo é responsável por algo fundamental para o salto das ninfas: garante total sincronia das patas durante o ato… As patas do Issus se movem com diferença de apenas 30 milissegundos de uma para a outra (1 milissegundo é a milionésima parte de um segundo), e isso evita que o inseto salte desordenadamente, rodopie sem rumo. Tal velocidade de reação supera por léguas qualquer impulso nervoso, muito mais lento que isso. O inseto nem precisa se preocupar, portanto, em mover as patas sincronizadamente, mesmo se uma delas se mover primeiro, o mecanismo instantaneamente fará com que a outra pata reaja no mesmo momento, proporcionando um salto impecável.

Igualmente surpreendente são as dimensões do mecanismo: cada engrenagem tem circunferência de apenas 400 micrômetros (1 µm= 1 milésimo de milímetro), e cada dente, cerca de 30 µm. É interessante que essas engrenagens somente ocorrem nas ninfas, sendo perdidas durante a fase adulta. Isso não deixa de ser engenhoso, pois, rodas dentadas perdem função, eficácia, quando perdem dentes, o que seria trágico para o inseto. Mas ninfas mudam várias vezes, trocando de exoesqueleto, o que garante que o sistema seja renovado eficazmente. Adultos, porém, não trocam mais de exoesqueleto, o que seria trágico se mantivessem as engrenagens, pois, alguns dentes perdidos ou deformados representariam risco maior de serem capturados, perderem a chance de se acasalar, etc.

Eis um vídeo mostrando o inseto em ação, sendo apresentado pelo próprio professor Malcolm Burrows (em inglês):

Este GIF mostra bem como o mecanismo atua durante o salto:

Conclusão

 

A ciência tem revelado, nos últimos tempos, formidáveis exemplos de mecanismos complexos e funcionais, não só essas engrenagens apenas, como também diversos tipos de motores biológicos 3, organismos que se guiam magneticamente 4 , algas que usam mecânica quântica durante fotossíntese 5, besouros que possuem parafusos e porcas 6(!), entre outros exemplos extraordinários. O pior de tudo (para teóricos, é lógico) é que tais mecanismos se recusam a harmonizar com qualquer ideia de surgimento “passo-a-passo”, aleatoriamente, de maneira gradual e auto-causada, como a evolução atesta… Gregory Sutton, co-autor, disse algo interessante:

“We usually think of gears as something that we see in human designed machinery, but we’ve found that that is only because we didn’t look hard enough,”

“Nós costumamos pensar de engrenagens como algo que nós (somente) vemos em maquinário desenvolvido por seres humanos, no entanto descobrimos que isso somente se deve por não termos checado mais à fundo”

Muitas vezes, pré-concepções pessoais podem representar empecilhos para novas descobertas, e como o autor mesmo afirma, por acharem que tal tipo de mecanismo somente existiria se for feito por humanos, jamais imaginariam achar o mesmo na natureza (tendo em vista que o naturalismo permeia as mentes e meios acadêmicos). Tal gafe não ocorreria se eles se munissem com a ideia de que tudo foi criado por uma mente onisciente, como ícones da ciência fizeram, tal como Newton, Pasteur, Mendel, James Joule, Lorde Kelvin, Francis Bacon, Keppler, Lineu, John Dalton e outros, grandemente responsáveis pelo estrondoso avanço científico que se seguiu (e ainda segue) décadas e séculos depois deles.

Tal apego ao naturalismo é reforçado por outra afirmação do mesmo co-autor, que estranhamente faz questão de mencionar o seguinte 7:

“These gears are not designed; they are evolved – representing high speed and precision machinery evolved for synchronisation in the animal world.”

“Essas engrenagens não são projetadas; elas evoluíram – representando maquinário de alta velocidade e precisão evoluído para sincronização no mundo animal”

Lendo, porém, o artigo dos mesmos, não encontraremos nem mesmo a menor tentativa de apresentar um plausível modelo para tal “certeza” sobre sua evolução… Geralmente, no mundo da ciência, afirmações cheias de certeza não tem valor algum, a menos que sejam reforçadas, baseadas em dados e fatos satisfatórios ao método científico. Sem isso, tais afirmações podem ser facilmente tomadas como opinião pessoal, tendenciosidade ou afirmação de fé!

Enfim, mais uma vez, o naturalismo materialista que contamina meios acadêmicos e filosóficos contemporâneos sofre tremendo golpe pelas próprias evidências que a natureza e o Cosmos nos dão. Uma pena que poucos despertem para essa realidade persistente…

 

 

 

 

Referências e fontes relacionadas

 

 

1- Burrows, M. and Sutton, G. Interacting gears synchronize propulsive leg movements in a jumping insectScience 341: 1254–1256, 13 September 2013 | doi: 10.1126/science.1240284.

2- “Functioning ‘Mechanical Gears’ Seen in Nature for First Time” ScienceDaily <http://www.sciencedaily.com/releases/2013/09/130912143627.htm> Sep. 12, 2013

3- Alberts B, Johnson A, Lewis J, et al. Molecular Biology of the Cell. 4th edition. New York: Garland Science; 2002. Molecular Motors. Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK26888/

4- Richard P. Blakemore et al. Scientific American 245(6):42–49, December 1981

5- Collini, E. et al. 2010. Coherently wired light-harvesting in photosynthetic marine algae at ambient temperatureNature. 463 (7281): 644-647.

6- Beetles beat us to the screw and nutNew Scientist, 211(2820):17, 9 July 2011

7- Functioning ‘mechanical gears’ seen in nature for the first time, Phys.Org, Sep 12, 2013 <http://phys.org/news/2013-09-functioning-mechanical-gears-nature.html>

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