Seres vivos extremos!

 

A natureza nunca cansa de nos impressionar, não é? Para os amantes da mesma, eu tenho prazer de apresentar 6 criaturas consideradas “extremófilas”, capazes de resistir aos mais adversos climas e condições:

 

 

Halicephalobus mephisto

 

 

 

 

Espécie de nematoide descoberto em 2011 em minas de ouro na África do Sul, se tornaram as criaturas conhecidas a viverem mais abaixo da superfície terrestre, 2.2 milhas abaixo do solo (3.6 km)! Tamanho foi o susto de Tullis Onstott quando se deparou com a criatura pela primeira vez, que ele afirmou a BBC 1:

“it scared the life out of me when I first saw them moving,” […] “they look like black little swirly things.”

“Quase morri de susto quando vi eles [os vermes] se movendo pela primeira vez,” […] “Eles parecem coisinhas pretas rodopiando”

Esses vermes conseguem sobreviver em águas com apenas 1% do oxigênio encontrado nos mares. Se alimentam de bactérias locais e medem apenas 0.5 a 0.56 mm, e são conhecidos em inglês como “vermes-dêmonio” (devil worms).

 

 

Euophrys omnisuperstes

 

 

 

 

O nome científico de espécie dessa aranha significa “permanecendo/de pé acima de tudo”, e não é por menos, essa aranha saltadora do Himalaia vive 6,700 metros ou mais na cordilheira, batendo o recorde de animal terrestre a viver no lugar mais alto entre toda a biosfera! Vivendo entre as fendas de rochas, conseguem suportar fácil longos períodos de fome, temperaturas extremamente baixas, ventos e neve… Sua única fonte de alimento são pequenos insetos que são levados montanha acima pelos fortes ventos! 2

 

 

Turritopsis dohrnii

 

 

 

 

Também conhecida como água-viva Benjamin Button, ou a água-viva imortal, é uma espécie de água-viva que pode em qualquer fase do seu ciclo de vida, pode voltar ao seu primeiro estágio de vida, ou seja, transformar-se em um pólipo. Isso acontece como resultado de estresse ambiental ou traumas físicos. O pólipo mais tarde, gerará clones (cópias genéticas) do animal de origem. Aparentemente não existem limites para o número de veze que esse “reset” pode ser feito, no entanto, retornar ao estágio infantil aumenta os riscos de predação e contrair doenças. 3

A água-viva foi observada pela primeira vez no Mediterrâneo, mas também foi encontrada em águas o Panamá, Espanha, Flórida e Japão.

 

 

Cucujus clavipes puniceus

 

 

 

 

Este belo inseto encontrado no Norte do Alasca e Canadá é conhecido por suportar ambientes gélidos sem congelarem! Adultos desse inseto foram observados sobrevivendo à temperaturas de até -58°! Suas larvas vão ainda mais longe, suportando -80, -100, até -150 graus Celsius, através de vitrificação corporal. Estes insetos conseguem tal façanha através de vários métodos engenhosos, como a produção de centenas de proteínas anticongelantes como alfa-caseína precursora, alfa-actinina, vimentina, tropomiosina, beta-lactoglobulina, imunoglobulinas diversas, tubulina, proteínas cuticulares e endotelinas, entre outras. Além disso, seu sangue possui doses altas de glicerol, que auxilia na resistência ao congelamento. 4 5

 

 

Alvinella pompejana

 

 

File:Alvinella pompejana01.jpg   

 

 

O verme de Pompéia também faz jus ao apelido; vive no fundo do oceano, perto de fontes termais e vulcões submarinos, chega a medir 13 cm e é encontrado nos mares das Ilhas Galápagos. Se fixam dentro desses túbulos, mas as suas cabeças se expõem, em busca de alimentos. Enquanto a cabeça fica em contato com água em temperaturas amenas de +- 22° C, o resto do corpo suporta até 80 º C! Ou seja, a apenas 20° do ponto de ebulição! Pesquisadores suspeitam que tal resistência se deve a camada de bactérias que recobre seu corpo, produtoras de enzimas “euritermais”, que também devem oferecer uma isolação térmica aos vermes, ou seja, previnem a transferência de calor do ambiente para os seus corpos. Pesquisas mais profundas com o mesmo são dificultadas pelo fato da criatura, condicionada para viver nas regiões de alta pressão do fundo do mar, falece tão logo vem à superfície. Tal verme só perde para o próximo “convidado”… 6

 

 

Tardigrada

 

 

 

 

Não se assustem! Esta não é uma imagem de algum filme de sci-fi nem de terror, mas sim de um artrópode real (mas cujas características poderiam muito bem fazer jus a um personagem de filme da Marvel Comics!). Existem mais de mil espécies desse filo (Incluindo uma espécie com nome científico de Echiniscus testudo!); são encontradas por todos os cantos do mundo, seja no Himalaia (acima de 6 mil metros), seja no fundo oceânico (4 mil metros abaixo do nível do mar), nos pólos terrestres ou na linha do Equador; se reproduzem por partenogênese ou sexualmente; medem em média meio milimetro e são fascinantes pela resistência às mais extremas condições ambientais, como:

-Temperaturas severas:  Um deserto do Saara para elas não é nada, nem o frio glacial, tendo em vista que podem suportar, por alguns minutos, serem fervidas a 151°C (304°F), ou congeladas por vários dias a −200°C (-328°F), com algumas espécies sobrevivendo ao frio de −273°C  (cerca de um grau acima do zero absoluto);

-Pressões extremas: Elas conseguem resistir à baixíssima pressão do vácuo espacial (um ser humano, por exemplo, literalmente explodiria em tal ambiente…) ou a pressões de até 6.000 atmosferas, o que é seis vezes mais intensa que a pressão na região da Fossa das Marianas, local mais profundo do mundo, com 11.034 metros de profundidade, no Oceano Pacífico.

-Desidratação: Em pleno verão, nós já sofremos com o calor, garganta seca (haja sorvete e água mineral!), e dependendo do grau de perda de água, podemos sofrer problemas sérios, até mesmo a morte. O mesmo, porém, não ocorre com esses “ursos d’água” (como conhecidos em inglês): quando desidratados, eles podem sobreviver não um só dia, nem um mês, um ano, mas até 10 anos! Quando exposto a baixas temperaturas, seu organismo, que possui 85% de água, fica com apenas 3%. Eles entram em um estado de dormência, quase-morte, onde seu metabolismo cessa, até que as condições ambientais sejam mais favoráveis. Como a água se expande ao congelar, tal desidratação evita que o seu corpo seja despedaçado pelo gelo que se forma em seu corpo e ao redor de si.

-Radiação: Enquanto nós precisamos de chapas de chumbo e toda uma gama de protetores contra radiação durante uma viagem ao espaço ou um mero exame de raio-X, tomografia, etc, essas criaturas suportam confortavelmente níveis de radiação 1000 vezes maior do que outros animais, cerca de 5.000 Gy de raios gamas, ou 6200 Gy (Gray) de íons pesados ( um ser humano já perece se exposto a 5 -10 Gy). Sem falar também da resistência desses micro-animais à radiação UV, incluindo a espacial, onde, acima da camada de ozônio, chega a ser 1000 vezes mais intensa do que a que nos atinge (e já basta para poder causar um melanoma, queimadura, enfim.)!!! Isso se deve à proteção que possuem em seu DNA e a grande capacidade de repararem danos ao DNA causados pelos raios UV, até mesmo do pior tipo, o UVC (254 nm de largura de onda). Seus ovos não racham/chocam mesmo quando expostos a 4 kGy de radiação gama!

-Espaço sideral: Querendo testar sua resistência, a Agência Espacial Européia (ESA) enviou em Setembro de 2007, vários tardígrados à bordo da espaçonave FOTON-M3, para serem expostos às condições mortais do espaço aberto, com seu vácuo letal, radiação espacial abundante, ventos solares e radiação UV extrema. Quando voltaram à Terra após 10 dias, pesquisadores observaram, boquiabertos, que muitos indivíduos sobreviveram e se reproduziram normalmente, como se tivessem retornado de felizes férias no Havaí…

Em presença de elementos tóxicos, é crido que os tardígrados podem sobreviver por longos períodos ao entrar em estado de criptobiose, certas fontes diziam que por até um século! Mas isso ainda hoje é motivo de debate e controvérsia. 7 8

Referências

 

 

1 Jennifer Carpenter  Deepest-living land animal found BBC News <http://www.bbc.co.uk/news/science-environment-13620701>

2 Himalayan jumping spider BBC Nature <http://www.bbc.co.uk/nature/life/Euophrys_omnisuperstes>

Alvinella pompejana– Wikipedia <http://pt.wikipedia.org/wiki/Alvinella_pompejana>

4 T. Sformo, K. Walters, K. Jeannet, B. Wowk, G. M. Fahy, B. M. Barnes and J. G. Duman Deep supercooling, vitrification and limited survival to –100°C in the Alaskan beetle Cucujus clavipes puniceus (Coleoptera: Cucujidae) larvae J Exp Biol 213, 502-509. February 1, 2010 doi: 10.1242/​jeb.035758

5 Martin A. Carrascod, Steven A. Buechlera, Randy J. Arnoldb, Todd Sformoc, Brian M. Barnesc, John G. Duman Investigating the deep supercooling ability of an Alaskan beetle, Cucujus clavipes puniceus, via high throughput proteomics http://dx.doi.org/10.1016/j.jprot.2011.10.034

6 The Pompeii worm- Wikipedia <http://en.wikipedia.org/wiki/Pompeii_worm>

Tardigrade- Wikipedia <http://en.wikipedia.org/wiki/Tardigrade>

Creature Survives Naked in Space- Space.com, September 08, 2008<http://www.space.com/5817-creature-survives-naked-space.html>

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